Artigos

A memória política como estratégia de conformação e ação do Movimento de Atingidos pela Barragem de Tucuruí. (2018)

Leandro Juárez Liberatori 

Resumo
O presente trabalho pretende mostrar como o uso da memória política, manifestada em diferentes materiais escritos, permitiu que os atingidos pela usina hidrelétrica de Tucuruí passassem de reivindicações particulares a um movimento organizado, que se posicionou como um interlocutor legítimo diante da empresa construtora, a Eletronorte, na luta por indenizações justas entre os anos 70 e o começo dos anos 90. Para tal fim, será feita remissão aos diferentes documentos produzidos por eles durante o conflito e utilizados em diversas circunstâncias de negociação com a Eletronorte. Nesse sentido, cabe abordar a memória do processo como um campo em construção, no qual os agentes envolvidos acionam diferentes estratégias políticas e discursivas, que visam a legitimar a perspectiva segundo a qual se posicionam. Dessa forma, busca-se mostrar que a memória não é neutra nem espontânea, e que sua construção é atravessada pelos interesses em jogo dos agentes que a evocam.

Palavras-Chave: Memória; Atingidos por Barragens; Movimentos Sociais.

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Organizações de atingidos pela UHE-Tucuruí: Regimes de verdade e constituição de ações coletivas. (2018)

Rodica Weitzman 

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar o processo de organização dos atingidos pela UHE de Tucuruí durante diferentes fases de intervenção da empresa hidrelétrica, destacando os modos pelos quais as identidades desses povos são redefinidas situacionalmente em processos de mobilização continuada. Ademais, revela a evolução em suas configurações organizacionais, atentando para as alterações observadas nas estratégias e nos focos temáticos em distintos períodos históricos, marcados primeiramente pelo regime autoritário e depois pelo processo de redemocratização no Brasil. A metodologia adotada privilegia os documentos produzidos pelos grupos de atingidos como fontes de informação, uma vez que é por meio deles que estes coletivos organizam uma plataforma de reivindicações. Conclusões preliminares revelam que os grupos de atingidos introduziram inovações, tanto nos dispositivos utilizados para sensibilizar e provocar mudanças em seu alvo – o Setor Elétrico –, quanto na natureza das demandas que faziam parte de seus repertórios de ação política, face às alterações drásticas no quadro socioambiental.

Palavras-Chave: Identidades; Movimentos; Negociações; Impactos; Tucuruí.

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Ensaio etnográfico: expressões e escritas camponesas como lugar da memória nas barragens de Tucuruí e Belo Monte. (2014)

Matheus Benassuly, Aquiles Simões, Sônia Magalhães

Resumo

Este ensaio etnográfico faz do uso da fotografia e da escrita de si (FOUCAULT, 1992a) os seus principais instrumentos à compreensão da realidade vivida pelos camponeses submetidos a uma situação de injustiça socioambiental provocada pela construção das barragens de Tucuruí e Belo Monte, remarcando o lugar da memória (NORA, 1993) e da resistência frente a tal situação, vivida em momentos e em contextos distintos. As expressões da vida camponesa à jusante da Hidrelétrica de Tucuruí são evidenciadas nas imagens dos ribeirinhos da comunidade Açaizal enquanto que as fotos dos escritos nos cadernos de Lucimar Barros da Silva, ou simplesmente Lúcio, encarnam e anunciam a dor e o lamento de um camponês que vê seu modo de vida ameaçado pelo deslocamento compulsório  incitado pela construção de Belo Monte, exatamente na área alagada pela barragem.

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Mercado de terras e meio ambiente em áreas de grandes projetos de investimento – o caso da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. (2010)

Henri Acselrad

As grandes obras governamentais destinadas à criação de infraestrutura para o desenvolvimento de projetos agropecuários, de exploração mineral e de transformação industrial constituem os vetores da integração de crescentes porções do espaço nacional a padrões de ocupação nucleados pela dinâmica capitalista. Ferrovias, rodovias, represas, usinas hidrelétricas e linhas de transmissão alteram radicalmente espaços físicos regionais, seus respectivos ecossistemas terrestres e aquáticos, bem como as redes de relações sociais constituídas sobre as bases espaciais até então prevalecentes. Desencadeiam-se nessas áreas, por um lado, movimentos de destruição e criação de relações sociais associadas diretamente à dinâmica dos referidos projetos. Dá-se início também, por outro lado, a processos generalizados de ruptura dos condicionantes espaciais das formas sociais vigentes nas áreas de influência desses empreendimentos governamentais. Esta ruptura será tão mais relevante quanto as populações das áreas de implantação destes empreendimentos tiverem suas condições de existência e suas estratégias de trabalho associadas estreitamente ao ambiente físico e ao meio biótico locais. Nesta medida, as condições espaciais da existência social são, via de regra, nessas frentes de expansão dos padrões capitalistas de ocupação do espaço, determinações indissociáveis das próprias formas sociais de apropriação do meio, como o exemplificam as práticas da pequena produção rural associada às atividades extrativas, a agricultura comercial de vazante associada à pesca artesanal, o recurso às terras de matas como objeto de uso comunal etc.

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